Era uma ensolarada manhã de janeiro quando bateram a campainha.Para minha surpresa, era um moço deixando uma pequena gatinha a pedido do projeto Lana. Ao pegar a caixa, vi o quanto era bonita a gatinha de três cores e pelos semi-longos! No entanto, um bilhete enviado com ela dizia o quanto ela era especial:
“Pri, ontem à noite abandonaram aqui esse gatinho paraplégico, não sei o que ele tem nem o que fazer com ele, por favor leve-o para o prof. Edgar.
Ele não anda e a barriga dele parece estar crescendo, parece estar inchando...”
Logo surgiu a preocupação, mas arrumei um lugar para ela ficar como fizemos com todos os que chegaram aqui.
À tarde pudemos levar ela ao veterinário e soubemos o diagnóstico: o fim de sua coluna estava afundada e houve perda permanente do movimento das patas traseiras, ela somente urinaria e defecaria quando estivesse no seu limite, por isso deveríamos observa-la por alguns dias, se seu funcionamento interno não desse resposta ia ser sacrificada. Decepcionadas com as notícias, eu e minha mãe ficamos pensando no motivo que a levou para aquela situação, o veterinário nos deu o mais possível: alguém deveria ter batido nela com algum objeto. Trouxemos a gatinha para casa na esperança de que ela reagisse.
Desde o primeiro dia que ela esteve aqui, sempre se comportou como um gato normal, miava quando via alguém chegando, ronronava toda vez que recebia carinho, apenas não andava, mas arrastava suas patinhas traseiras para brincar, e brincava com qualquer objeto que dessem a ela, pois estava exatamente na sua fase infantil.
Passada uma semana, ela não mostrou os resultados esperados, e seguindo as instruções do veterinário, teríamos que sacrifica-la o quanto antes. Mas não tivemos coragem.
A gatinha acabou indo para a casa do Edgar, onde permaneceu durante duas semanas sem demonstrar nenhuma reação positiva, o que causou a sua morte.
Esta gatinha foi apenas um exemplo de casos que ocorrem todos os dias.
Animais são espancados, muitas vezes até a morte, pelo simples fato de cruzarem o caminho de pessoas que não gostam deles, pessoas que nem se importam com o sofrimento que podem causar.
É...“a humanidade é desumana...”

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